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CONCORRÊNCIA OU CONVERGÊNCIA?

Hoje existe uma distância entre como universidades acadêmicas e escolas corporativas ensinam. Em um mundo com mudanças aceleradas, que vêm impactando a forma de educar, será que existe espaço para uma agenda comum? É possível observar a existência de fóruns e espaços para debates com representantes dos dois ambientes de ensino, de forma a responder a questões como: o que mudará na forma como se educam os novos profissionais com o advento das metodologias dinâmicas e tecnológicas? Como atender às expectativas da sociedade na educação para a formação da cidadania?

Por Marisa Eboli, André Fischer, Fábio Moraes, Wilson Amorim E Luci Ferraz

14 de março de 2018

NECESSIDADE DE CONVERGÊNCIA

Os professores que atuam na academia entendem que a formação universitária precisa ir além do mercado. Ela deve formar o profissional que será agente de mudanças não apenas nas empresas, mas na esfera social  como um todo. Jovens com mais senso crítico e preocupação social procuram organizações afinadas com suas aspirações. No entanto, após a contratação, muitas vezes se frustram pela falta de alinhamento entre suas demandas e os objetivos estratégicos de seus empregadores. As empresas precisam preparar seus gestores para receberem esses novos alunos. Caso contrário, o esforço feito pelas universidades acadêmicas terá sido em vão.

Do lado da academia, também existem pressões para a mudança. Os especialistas da educação acadêmica entendem que é importante superar os feudos e as ilhas de vaidade no corpo docente para que seja possível compartilhar as experiências e fomentar novas ideias. O modelo educacional deveria migrar da “pedagogia do monólogo” para a “pedagogia do diálogo”. Essa transformação é fundamental para a formação de pessoas para o mundo que ainda não existe − mas que está em plena gestação. A aproximação com as empresas deve ocorrer de modo organizado e sistemático, a fim de que seja efetiva.

Segundo os educadores corporativos, para as empresas prosperarem, vão precisar de “gente pronta” constantemente. Ter profissionais qualificados significa contar com serviços e produtos melhores. Além disso, as gerações mais jovens querem viver em um ambiente de aprendizagem. Qualificá-las traz, assim, engajamento, além de ajudar no entendimento da cultura da empresa.

A busca de convergência entre o mercado e o ensino acadêmico inspira-se em um denominador comum: a superação da produção de conhecimento enclausurado em “gaiolas epistemológicas” que separam as disciplinas e criam um mundo excessivamente compartimentalizado e fragmentado.

Existe um consenso de que é preciso aproximar a academia e as empresas para repensar o currículo escolar, que deve buscar a inter e a transdisciplinaridade. As corporações precisam ter mais presença nas universidades acadêmicas − em eventos, seminários e aulas − trazendo exemplos práticos para ajudar os alunos a pensar a partir da realidade. Se o conhecimento se desenvolve também a partir do fazer, que os alunos possam aprender a partir da realidade, e não apenas de aspectos teóricos hipotéticos.

Uma fonte de inspiração são os cursos de medicina. Os estudantes vivenciam locais de trabalho onde vão atuar, hospitais, clínicas e consultórios particulares. Médicos ensinam nas escolas, capacitando e especializando novos profissionais. Quando saem da faculdade, os alunos têm uma visão mais realista do ambiente que encontrarão. Na área de administração, executivos do setor financeiro já atuam como educadores na academia e professores universitários conduzem projetos educacionais nas escolas corporativas.

NOVAS METODOLOGIAS E TECNOLOGIAS

A tecnologia possui um espaço importante no aprendizado, mas não constitui o instrumento essencial. A aproximação entre empresários, professores e pesquisadores consiste no aspecto fundamental para a mudança da educação – é a velocidade dessa interação que pode ser acelerada por ferramentas tecnológicas.

Nas universidades corporativas, a tecnologia tem sido usada de forma maciça nos produtos educacionais. Os instrumentos pedagógicos envolvem metodologias ativas de aprendizagem (sala invertida, aprendizado baseado na solução de problemas, coaching e mentoring) e tecnologias como games e inteligência artificial. Ferramentas permitem atingir colaboradores que estão fisicamente em todas as partes do mundo e reproduzir ambientes de negócios que tornam mais fácil a assimilação do aprendizado.

A chamada cultura maker, com o foco no fazer, surge como uma contribuição metodológica na educação. Escolas de cultura maker vêm surgindo nas metrópoles brasileiras para ensinar crianças a aprender pela construção de suas próprias soluções, com a utilização de robótica, programação e marcenaria.

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